Atendimento Domiciliar: Entenda Quando o Plano de Saúde Cobre o Home Care
Receber a notícia de que um familiar precisa de cuidados contínuos em casa pode ser um alívio, mas logo surge a dúvida: o plano de saúde cobre o home care? Essa é uma questão que confunde muita gente. A gente sabe que o atendimento domiciliar, ou home care, é uma alternativa que traz mais conforto e humaniza o tratamento, mas nem sempre os planos de saúde facilitam. Muitas vezes, a negativa vem, e aí bate o desespero. Vamos entender melhor quando o plano tem a obrigação de cobrir esse serviço e o que fazer se ele se recusar.
Key Takeaways
- O home care, ou internação domiciliar, é a continuidade do tratamento hospitalar em casa, com equipe multiprofissional e, às vezes, equipamentos. Já a assistência domiciliar é menos intensiva e pode não ser coberta.
- Planos de saúde são, em geral, obrigados a cobrir o home care quando há indicação médica e o contrato prevê cobertura para internação hospitalar. A recomendação do médico é fundamental.
- Negativas de cobertura por parte dos planos de saúde são comuns, usando argumentos como falta de previsão contratual ou restrições do Rol da ANS. No entanto, a Justiça entende que o Rol é exemplificativo e que a recusa pode ser abusiva.
- Em caso de negativa, o paciente deve solicitar um relatório médico detalhado, pedir a negativa por escrito ao plano, registrar reclamação na ANS e, se necessário, buscar um advogado para entrar com ação judicial.
- O plano de saúde geralmente não cobre itens como alimentos, vitaminas, suplementos, itens de higiene pessoal, fraldas e medicamentos de uso contínuo. O serviço de cuidador, que foca em auxílio nas atividades diárias, também não é coberto.
O Que Define o Atendimento Domiciliar
Compreendendo o Conceito de Home Care
O atendimento domiciliar, mais conhecido como home care, é basicamente a prestação de serviços de saúde diretamente na casa do paciente. Pense nisso como trazer o hospital para mais perto de quem precisa, no conforto do seu lar. Isso pode envolver uma equipe multidisciplinar, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais, dependendo do caso. O objetivo principal é garantir que o paciente receba o cuidado necessário sem precisar ficar internado, o que, para muitas pessoas, significa um alívio e uma melhora na qualidade de vida.
Diferenças Entre Internação e Assistência Domiciliar
É importante saber que nem todo atendimento em casa é igual. Temos a internação domiciliar, que é quando o paciente precisa de cuidados intensivos, quase como se estivesse no hospital, com acompanhamento 24 horas, medicamentos complexos e suporte médico constante. Isso geralmente é coberto pelo plano se o contrato já prevê internação hospitalar. Já a assistência domiciliar é um pouco diferente; são cuidados menos intensivos, como visitas pontuais de profissionais ou terapias específicas. Essa modalidade pode não estar coberta se não houver previsão explícita no contrato.
Indicações Médicas Para o Home Care
Então, quando é que o home care realmente faz sentido e é indicado? Geralmente, ele é recomendado para pacientes com doenças crônicas ou degenerativas que precisam de acompanhamento contínuo. Também é uma ótima opção para quem necessita de suporte com equipamentos, como aparelhos de ventilação mecânica ou oxigênio, ou para quem está em cuidados paliativos, buscando mais conforto nos momentos finais. Casos de recuperação pós-AVC, que exigem reabilitação e suporte constante, também se beneficiam muito dessa modalidade. Basicamente, se o paciente está estável o suficiente para não precisar de um hospital, mas ainda precisa de cuidados médicos frequentes, o home care pode ser a solução ideal.
A decisão de transferir um paciente para o home care deve ser sempre baseada em uma avaliação médica criteriosa, considerando a estabilidade clínica e a necessidade de cuidados contínuos que podem ser oferecidos fora do ambiente hospitalar.
As principais situações que justificam a cobertura incluem:
- Doenças crônicas e degenerativas que exigem monitoramento e intervenções regulares.
- Necessidade de suporte contínuo com equipamentos médicos específicos (ex: ventilador mecânico, oxigenoterapia).
- Pacientes em cuidados paliativos, buscando conforto e dignidade.
- Recuperação de eventos como AVC, que demandam reabilitação e acompanhamento multiprofissional.
Cobertura de Home Care Pelos Planos de Saúde
Obrigação Legal dos Planos de Saúde
Olha, a verdade é que os planos de saúde, em geral, são obrigados a cobrir o home care. Isso acontece quando o médico que acompanha o paciente indica esse tipo de atendimento como a melhor opção para a recuperação ou para a continuidade do tratamento. Não é uma questão de ‘se eles querem’, mas sim de uma obrigação legal. A Lei dos Planos de Saúde, lá de 1998, diz que os planos cobrem tratamentos para doenças listadas em classificações internacionais. Se a internação hospitalar é coberta, e o home care pode substituir essa internação com a mesma eficácia, o plano tem que arcar com os custos.
Fundamentos Jurídicos Para a Cobertura
Além da lei principal, tem outras coisas que dão força a esse direito. O Código de Defesa do Consumidor, por exemplo, proíbe que os planos neguem tratamentos que são essenciais para a saúde e a vida de alguém. E tem mais: a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem um rol de procedimentos que serve como uma lista mínima do que os planos devem cobrir. Só que os tribunais, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já decidiram várias vezes que esse rol não é uma lista fechada. Ou seja, se um tratamento como o home care é necessário e não está lá, mas é fundamental para o paciente, o plano ainda assim pode ser obrigado a cobrir. A decisão médica é o que mais pesa.
O Papel da Prescrição Médica
A prescrição médica é a chave de tudo. É o médico que conhece o paciente, a doença e o quadro clínico quem vai dizer se o home care é o caminho certo. Ele precisa fazer um laudo bem detalhado, explicando por que o atendimento domiciliar é mais indicado do que a internação hospitalar. Esse documento é super importante para comprovar a necessidade do serviço. Sem ele, fica mais difícil convencer o plano. Mas, mesmo com o laudo, algumas operadoras ainda tentam negar. Nesses casos, a recomendação é buscar ajuda jurídica, porque a Justiça costuma dar razão ao paciente quando a indicação médica é clara e fundamentada.
Situações Que Justificam a Cobertura
Doenças Crônicas e Degenerativas
Quando falamos de doenças crônicas ou degenerativas, como esclerose múltipla, Parkinson ou ELA, o home care muitas vezes se torna a opção mais adequada. Essas condições exigem acompanhamento constante e, em muitos casos, o ambiente hospitalar pode até ser prejudicial, aumentando o risco de infecções. A continuidade do tratamento em casa, com suporte profissional e equipamentos necessários, é fundamental para a qualidade de vida do paciente.
Necessidade de Suporte Contínuo e Equipamentos
Existem situações em que o paciente precisa de cuidados que vão além do acompanhamento médico básico. Isso pode incluir o uso de equipamentos como ventiladores mecânicos, oxigenoterapia, bombas de infusão ou até mesmo a necessidade de assistência de enfermagem 24 horas. Nesses casos, o plano de saúde, se cobrir internação hospitalar, deve cobrir o home care, pois é a forma de garantir que o paciente receba o suporte necessário sem precisar ficar internado.
Cuidados Paliativos e Pós-AVC
Para pacientes em cuidados paliativos, o objetivo principal é o alívio da dor e o conforto, e o ambiente domiciliar, cercado pela família, costuma ser o mais indicado. Da mesma forma, após um Acidente Vascular Cerebral (AVC), muitos pacientes necessitam de reabilitação e cuidados contínuos que podem ser oferecidos em casa. A cobertura do home care nessas circunstâncias visa garantir dignidade e bem-estar ao paciente.
A indicação médica é a chave para a cobertura do home care. Se o médico que acompanha o paciente atesta que o tratamento domiciliar é a melhor opção, seja por necessidade de suporte contínuo, por questões de conforto ou para evitar riscos hospitalares, o plano de saúde tem a obrigação de cobrir o serviço.
| Condição Médica | Justificativa para Home Care |
|---|---|
| Doenças Crônicas | Necessidade de acompanhamento contínuo, redução de riscos. |
| Suporte Ventilatório | Continuidade do tratamento com equipamentos em casa. |
| Pós-AVC | Reabilitação e cuidados contínuos em ambiente familiar. |
| Cuidados Paliativos | Conforto, alívio da dor e dignidade em fase terminal. |
Negativas Abusivas de Cobertura
É frustrante quando o plano de saúde nega o atendimento domiciliar, especialmente quando a recomendação médica é clara. Muitas vezes, essas negativas se baseiam em argumentos que não se sustentam legalmente. Vamos entender quais são eles e por que são considerados abusivos.
Argumentos Comuns Utilizados Pelas Operadoras
As operadoras de planos de saúde costumam usar algumas justificativas para recusar a cobertura do home care. É importante conhecer essas táticas para saber como reagir:
- “O contrato não prevê Home Care”: Esse é um dos argumentos mais frequentes. No entanto, a lei e as decisões judiciais entendem que o home care é uma extensão do tratamento que seria oferecido no hospital. Se a internação hospitalar é coberta, o atendimento domiciliar, quando indicado, também deve ser.
- “O Home Care não está no Rol da ANS”: A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publica uma lista de procedimentos que os planos devem cobrir. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu que esse rol é exemplificativo, ou seja, não limita os tratamentos que o plano é obrigado a cobrir se forem clinicamente necessários e recomendados por um médico.
- “O custo é muito alto”: Algumas operadoras alegam que o home care tem um custo elevado. Porém, em muitos casos, o atendimento domiciliar pode ser mais econômico a longo prazo do que a internação hospitalar, evitando gastos com estrutura física e reduzindo o risco de infecções hospitalares.
- “O paciente está em cuidados paliativos e deve ficar no hospital”: Se o médico indicar que os cuidados paliativos são mais adequados e humanizados no domicílio, o plano não pode impor a internação hospitalar. Essa decisão deve respeitar o bem-estar e a dignidade do paciente.
A Ilegalidade da Recusa Baseada em Contrato
Recusar o home care apenas com base em uma cláusula contratual que não menciona explicitamente o serviço é, na maioria das vezes, ilegal. A interpretação dos contratos de plano de saúde deve sempre priorizar a saúde e a vida do beneficiário. A lei 9.656/98, que regulamenta os planos de saúde, e o Código de Defesa do Consumidor (CDC) protegem o consumidor contra práticas abusivas. Se o tratamento em casa é a melhor alternativa para a recuperação ou para garantir o conforto do paciente, e essa indicação vem do médico, o plano tem o dever de cobrir.
A substituição do ambiente hospitalar pelo domiciliar, quando clinicamente indicada, não pode servir como pretexto para a operadora se eximir de suas responsabilidades. O foco deve ser sempre a continuidade do tratamento e a qualidade de vida do paciente.
O Rol da ANS Como Referência Mínima
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece um rol de procedimentos e eventos em saúde que serve como uma lista mínima de cobertura obrigatória. No entanto, é crucial entender que esse rol não é absoluto. Tribunais superiores, como o STJ, já consolidaram o entendimento de que a lista da ANS é apenas uma referência. Se um tratamento, como o home care, é clinicamente necessário e recomendado por um profissional de saúde, mesmo que não esteja explicitamente detalhado no rol, o plano de saúde pode ser obrigado a cobri-lo. A decisão médica, fundamentada em laudos e exames, tem um peso significativo nessas situações.
Direitos do Paciente e Ações Cabíveis
Se o seu plano de saúde negou o atendimento domiciliar, saiba que você tem direitos e caminhos para buscar o que é seu por direito. Não é incomum que as operadoras tentem se esquivar da responsabilidade, mas a lei está do lado do paciente em muitas situações.
O Que Fazer Diante de Uma Negativa
Quando o plano de saúde diz “não” para o home care, o primeiro passo é não aceitar a resposta sem questionar. É importante agir com organização para garantir que você tenha todas as ferramentas necessárias para reverter essa decisão. Aqui estão os passos que você pode seguir:
- Solicite a negativa por escrito: Peça à operadora uma justificativa formal e detalhada da recusa. Isso é fundamental para entender os argumentos deles e preparar sua defesa.
- Reúna toda a documentação médica: Converse com o médico que acompanha o paciente. Peça um laudo médico completo, que explique o diagnóstico (com o CID), a necessidade do home care, a urgência do tratamento e os riscos de não recebê-lo em casa.
- Registre uma reclamação na ANS: A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão regulador. Registrar uma reclamação lá pode pressionar a operadora e, em alguns casos, resolver a questão.
- Busque orientação jurídica: Um advogado especializado em direito da saúde pode analisar seu caso e orientar sobre as melhores ações.
A Importância do Laudo Médico Detalhado
O laudo médico é a sua principal arma. Ele não é apenas um atestado, mas sim um documento técnico que fundamenta a necessidade do tratamento domiciliar. Um bom laudo deve conter:
- Diagnóstico claro do paciente e seu respectivo CID (Classificação Internacional de Doenças).
- Justificativa detalhada para a indicação do home care, explicando por que o ambiente domiciliar é mais adequado ou necessário.
- Descrição da complexidade do tratamento e dos cuidados que serão necessários.
- Informações sobre a urgência e os riscos associados à falta do atendimento domiciliar, como o aumento da chance de infecções hospitalares ou a piora do quadro clínico.
- Se aplicável, a necessidade de equipamentos específicos ou suporte de equipe multiprofissional.
Um laudo bem elaborado, escrito por um médico que conhece o paciente e sua condição, faz toda a diferença na hora de convencer a operadora ou, se necessário, a justiça.
Busca Por Apoio Jurídico Especializado
Se a negativa persistir, ou se a situação for muito urgente, a via judicial pode ser o caminho mais rápido. Um advogado especialista em direito da saúde saberá como agir:
- Análise do contrato: Ele verificará as cláusulas do seu plano e as leis aplicáveis.
- Ação judicial: Poderá ingressar com uma ação pedindo a cobertura do home care.
- Pedido de liminar: Em casos de urgência, é possível solicitar uma decisão judicial rápida (liminar) para que o serviço seja liberado imediatamente, enquanto o processo principal corre.
- Indenização por danos morais: Em situações onde a negativa causou grande sofrimento ou prejuízos, pode-se pedir uma compensação por danos morais.
Jurisprudência e Decisões Judiciais
Entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem um papel importante na definição de como os planos de saúde devem agir em relação ao home care. De forma geral, o entendimento é que, se o contrato cobre internação hospitalar e o médico indica que o tratamento domiciliar é a melhor opção para o paciente, o plano de saúde tem sim que cobrir. A ideia é que o home care, nesses casos, funciona como uma substituição da internação hospitalar, e não como um serviço totalmente novo e fora do contrato. A indicação médica é o ponto chave para garantir esse direito.
Exemplos de Decisões Favoráveis aos Beneficiários
Já vimos casos em que a Justiça deu ganho de causa aos pacientes. Por exemplo, uma pessoa com uma doença crônica que precisava de cuidados contínuos em casa teve o pedido negado pelo plano, que alegou falta de previsão no contrato. O tribunal decidiu que a negativa era abusiva e obrigou o plano a cobrir o home care, pois era essencial para a qualidade de vida da pessoa. Em outra situação, um idoso em cuidados paliativos teve o home care negado, mas a Justiça entendeu que o tratamento domiciliar era mais adequado para o bem-estar e dignidade dele, determinando que o plano fornecesse o serviço.
Ações Judiciais Para Garantir o Serviço
Se o seu plano de saúde negou o home care, mesmo com a recomendação médica, é possível buscar a Justiça. O primeiro passo é ter um laudo médico bem detalhado, explicando toda a necessidade do tratamento em casa. Depois, é importante registrar uma reclamação na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Se a negativa persistir, o caminho é procurar um advogado especializado em direito da saúde. Ele poderá entrar com uma ação judicial, e em muitos casos, é possível conseguir uma liminar, que é uma decisão rápida da justiça para que o serviço seja liberado imediatamente. Não é incomum que essas ações também incluam pedidos de indenização por danos morais, caso a negativa tenha causado grande sofrimento.
A jurisprudência tem se consolidado no sentido de que a substituição da internação hospitalar pelo atendimento domiciliar, quando indicada por um médico, não pode ser usada como justificativa para a negativa de cobertura por parte dos planos de saúde, especialmente se o contrato prevê a cobertura para internação.
Benefícios e Vantagens do Atendimento Domiciliar
Optar pelo atendimento domiciliar, o famoso home care, traz uma série de pontos positivos que vão muito além da conveniência. Para quem está passando por um tratamento de saúde, estar em casa, cercado pelos seus, faz uma diferença enorme no bem-estar geral. É um jeito mais humano de cuidar, sabe?
Uma das maiores vantagens é, sem dúvida, a redução dos riscos de contrair infecções hospitalares. Hospitais são ambientes com muitos microrganismos circulando, e ficar longe disso, recebendo os cuidados necessários no conforto do seu lar, é um alívio. Isso significa menos preocupações com complicações que não têm nada a ver com a doença principal.
Além disso, o conforto físico e emocional é inegável. O paciente se sente mais seguro e relaxado em seu próprio ambiente, o que pode até acelerar o processo de recuperação. A familiaridade do lar, a rotina adaptada e a presença constante da família criam um cenário muito mais propício para a melhora.
Conforto e Bem-Estar do Paciente
O ambiente doméstico oferece uma sensação de segurança e normalidade que o hospital, por mais bem equipado que seja, não consegue replicar. Poder dormir na própria cama, comer em família e ter acesso aos seus objetos pessoais contribui significativamente para o estado de espírito do paciente. Essa estabilidade emocional é um componente poderoso no tratamento.
Redução de Riscos de Infecção Hospitalar
O contato com outros pacientes e com o ambiente hospitalar expõe o indivíduo a uma variedade de patógenos. O home care minimiza essa exposição, criando um ambiente controlado e mais seguro para a recuperação, especialmente para aqueles com o sistema imunológico comprometido.
Humanização do Tratamento Médico
O atendimento domiciliar permite uma relação mais próxima e pessoal entre o paciente, a família e a equipe de saúde. Os profissionais podem observar o paciente em seu contexto real, adaptando o tratamento às suas necessidades e rotinas de forma mais eficaz. Essa abordagem centrada no paciente e em sua família promove um cuidado mais empático e individualizado.
O Que Não Está Incluído na Cobertura
É importante saber que, apesar de o home care ser uma modalidade de tratamento cada vez mais comum e muitas vezes essencial, nem tudo está automaticamente coberto pelo plano de saúde. A cobertura geralmente se concentra nos serviços e equipamentos estritamente necessários para a continuidade do tratamento médico, conforme a indicação profissional.
Alimentos, Vitaminas e Suplementos
Geralmente, o plano de saúde não cobre despesas com alimentação especial, vitaminas ou suplementos nutricionais. A lógica é que esses itens são considerados parte da dieta básica ou de um reforço nutricional que não se enquadra como procedimento médico direto. A necessidade de uma dieta específica, como para diabéticos ou celíacos, é vista como uma questão de nutrição e não como um serviço de saúde coberto. A mesma coisa vale para suplementos vitamínicos, mesmo que recomendados pelo médico, a menos que sejam parte de um tratamento específico e complexo que o plano cubra.
Itens de Higiene Pessoal e Fraldas
Assim como a alimentação, produtos de higiene pessoal e itens como fraldas descartáveis não costumam ser cobertos pelos planos de saúde. Esses materiais são considerados de uso pessoal e contínuo, essenciais para o dia a dia do paciente, mas não diretamente ligados à terapêutica médica coberta. A responsabilidade por esses gastos recai sobre o paciente ou seus familiares.
Medicamentos de Uso Contínuo
Essa é uma área que gera bastante dúvida. A cobertura de medicamentos de uso contínuo para tratamento domiciliar pode variar bastante. Muitos planos de saúde cobrem medicamentos que são administrados durante a internação domiciliar (por exemplo, antibióticos intravenosos), mas raramente cobrem os medicamentos que o paciente usa diariamente em casa para doenças crônicas, como remédios para pressão alta, diabetes ou colesterol. Essa exclusão é comum, pois esses medicamentos são vistos como parte do tratamento de longo prazo da condição em si, e não como um serviço de home care. É sempre bom verificar as cláusulas específicas do seu contrato ou consultar a ANS para entender o que é previsto.
Diferença Entre Cuidador e Home Care
O Papel do Cuidador Domiciliar
Quando falamos em cuidados em casa, é fácil misturar as coisas. O cuidador, por exemplo, é aquela pessoa que dá um suporte mais pessoal no dia a dia. Pense em ajudar com o banho, a alimentação, a locomoção pela casa, ou simplesmente fazer companhia. É um apoio mais voltado para as atividades cotidianas, para que a pessoa se sinta mais segura e amparada em suas tarefas diárias. Geralmente, o cuidador não tem formação técnica específica para procedimentos médicos, mas foca no bem-estar e na autonomia do paciente.
A Natureza do Serviço de Home Care
Já o home care, ou internação domiciliar, é outra história. Ele é, na verdade, uma extensão do tratamento hospitalar, mas feito no conforto do lar. Isso significa que o home care envolve uma equipe multidisciplinar, que pode incluir médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros. Eles realizam procedimentos que antes só eram possíveis no hospital, como administração de medicamentos complexos, curativos específicos, monitoramento de sinais vitais e terapias. A principal diferença é que o home care é um serviço médico, enquanto o cuidador oferece assistência pessoal.
Quando o Plano Cobre Cada Modalidade
Entender essa distinção é chave para saber o que esperar do plano de saúde. Em geral, os planos de saúde são obrigados a cobrir o home care quando ele é indicado por um médico como a melhor alternativa ao tratamento hospitalar. Isso inclui a necessidade de equipamentos, medicamentos e acompanhamento profissional contínuo.
Por outro lado, o serviço de cuidador, por ser mais focado nas atividades básicas de vida diária e não em procedimentos médicos complexos, normalmente não é coberto pelos planos de saúde. Essa é uma distinção importante, pois muitas famílias acabam solicitando o cuidador pensando que o plano vai arcar com os custos, e se deparam com uma negativa.
É sempre bom verificar o contrato do seu plano e, em caso de dúvida, conversar com o médico sobre a real necessidade de cada tipo de assistência. A indicação médica detalhada é o ponto de partida para qualquer solicitação de cobertura.
Em Resumo: O Seu Direito ao Home Care
Olha, no fim das contas, o atendimento domiciliar, ou home care, é um direito seu quando o médico indica. Os planos de saúde às vezes tentam dificultar, falando que não está no contrato ou que é um serviço extra. Mas a verdade é que a lei e os juízes entendem que, se você precisa de cuidados contínuos e isso pode ser feito em casa, o plano tem que cobrir. Não é para ser um bicho de sete cabeças. Se o seu plano negar, não aceite de primeira. Peça o laudo médico detalhado, tente resolver com eles e, se não der certo, procure um advogado. É importante saber que você tem como lutar por esse direito e garantir o melhor cuidado para quem precisa, no conforto do lar.
Perguntas Frequentes
O que é exatamente o home care?
Home care é como um hospital em casa. Significa que um médico ou enfermeiro vai até a sua casa para te tratar, em vez de você ter que ir ao hospital. Pode incluir desde visitas de vez em quando até cuidados completos 24 horas por dia, dependendo do que você precisa.
Meu plano de saúde é obrigado a cobrir o home care?
Na maioria das vezes, sim! Se o seu médico disser que você precisa de home care e que isso é o melhor para o seu tratamento, o plano de saúde geralmente tem que pagar. Isso é especialmente verdade se o seu plano já cobre internações em hospitais.
Por que os planos de saúde às vezes negam o home care?
Os planos podem dizer que o seu contrato não cobre isso, ou que é um serviço diferente do hospital. Mas, muitas vezes, essas desculpas não são válidas e a Justiça entende que eles devem cobrir, sim, se o médico indicar.
O que é mais importante para conseguir a cobertura do home care?
O mais importante é ter um atestado médico bem detalhado. O médico precisa explicar direitinho por que você precisa do home care e como ele vai te ajudar. Esse papel é a sua maior prova!
O que o plano de saúde NÃO cobre no home care?
Geralmente, o plano não paga por coisas como comida, vitaminas, produtos de higiene pessoal (como fraldas) e remédios que você toma todo dia. Esses itens costumam ser por conta da família.
Qual a diferença entre um cuidador e o serviço de home care?
Um cuidador ajuda com as tarefas do dia a dia, como dar banho ou ajudar a comer. Já o home care é um tratamento médico, com profissionais de saúde cuidando de questões mais sérias. O plano de saúde cobre o home care, mas geralmente não cobre o cuidador.
O que eu faço se o meu plano negar o home care?
Primeiro, peça para o plano te dar a negativa por escrito. Depois, você pode registrar uma reclamação na ANS (a agência que cuida dos planos de saúde) ou procurar um advogado especialista em saúde para te ajudar a conseguir o que você tem direito na Justiça.
Quais doenças geralmente levam à indicação de home care?
Não é só uma doença específica. O home care é indicado para quem precisa de cuidados constantes, tem dificuldade de se mover, está se recuperando de algo sério como um AVC, tem doenças crônicas que precisam de atenção contínua ou está em cuidados paliativos. O que vale é a necessidade de cuidado contínuo indicada pelo médico.





